A princesa se chamava
NYASHIA e morava numa torre feita com seus próprios poderes, a torre mais alta
do castelo...dessa torre nyashia podia ver todo o seu povo, ver a vida no
reino, mas nada a atraia a sair da torre, pois ela se sentia segura no mundo
frio e solitário que havia criado a sua volta.
Apesar de estar isolada por
sua própria vontade na torre, nyashia ainda assim teve vários pretendentes,
vários cavaleiros que tentaram se aproximar da princesa visando ser o DONO da
princesa e trazer pra sí o mérito de ter tirado ela da torre, e muitos deles se
iludiram achando que tinham conseguido, mas ao girar a maçaneta da porta viam
que ela ainda estava trancada, e deixavam a princesa em sua torre.
Numa noite, tão fria e tão
solitária como todas as outras, nyashia que tentava se aquecer perto da lareira
ouviu passos subindo as escadas, e pensou consigo mesma, mais um pretendente,
que por mais uma vez sairá daqui sem mim.
Mas daquela vez foi diferente,
não era um lorde, ou um duque, muito menos um nobre que subia as escadas, era
apenas um guerreiro, de um lugar ainda mais distante, que ao ouvir a história
da princesa que se trancara por vontade própria, teve pena dela e resolveu lhe
oferecer sua amizade.
E horas, dias se passaram, e
nyashia permaneceu ali, sentada na soleira da porta conversando com o
guerreiro, rindo com ele, falando sobre si mesma, e conhecendo um pouco dele. E
num determinado momento ela sentiu que o fogo da lareira havia se apagado mas
que ainda assim a torre estava aquecida e entendeu que o guerreiro a aquecia,
lembrou que a dias não se alimentava, mas não sentia fome, o guerreiro
alimentava sua alma e ela pela primeira vez pensou em descer da torre.
Mas quando ia dizer ao guerreiro
que gostaria que ele abrisse a porta o ouviu dizer, bem bela princesa, dias se
passaram, adorei estar aqui com você, mas agora tenho que ir, compromissos com
outra princesa me aguardam no lugar de onde venho.
Nyashia naquele momento chorou,
mas era uma princesa e manteve sua altives e prepotência, se despediu do
guerreiro sem ao menos agradecer por sua companhia, virou as costas pra porta e
se deitou em sua cama, e naquela noite, ela chorou de verdade pela primeira
vez, chorou pela perda de algo que nunca havia sentido, mas que imaginou poder
ter com o guerreiro...foi um lamento da alma, muito triste e muito solitário.
Pela manhã nyashia novamente
ouviu passos na escada mas imaginou ser um dos seus muitos criados que traziam
alimento, e sem fome nem da cama se levantou. Passaram se mais algumas horas, a
escada da torre eram muito altas, e os passos continuavam lá, mas nyashia
percebeu que a torre foi se aquecendo novamente, e pressentiu que era o
guerreiro chegando e trazendo seu calor. Imediatamente levantou, e foi em direção
a porta com rapidez e esperança.
E antes mesmo que ele
falasse, ela já sabia que ele tinha retornado, ela tomou a iniciativa e disse:
Por favor guerreiro, abra a
porta, me liberte e me tire desse lugar tão frio e solitário.
E o guerreiro pacientemente
explicou pra princesa, que sim tinha voltado para tirá la de lá, mas não pra
ela viver no reino que tinha os maiores poderes, e sim para que ela o
acompanhasse para o reino onde ele vivia e era REI, e que lá era não teria
nenhum privilégio, que seguiria as ordens do REI guerreiro e seria súdita dele
e não ao contrário.
Sem pensar duas vezes a
princesa disse sim, eu aceito tuas condições, sim eu acato todas as tuas
ordens, mas não consigo mais ficar sem o calor que emana do seu corpo pra minha
alma. E ela continuou, mas por favor abra logo essa porta, não suporto mais
ficar aqui.
O REI guerreiro deu uma
forte gargalhada e disse, princesa, a porta que te tranca não tem maçaneta para
o lado de fora, a abertura da porta está em suas mãos, é uma decisão sua, cabe
somente a você a coragem de abrí la e sair.
E ela saiu..e se atirou nos
braços do guerreiro e se sentiu livre....
Eles desceram as escadas
juntos e de mãos dadas e ela se sentindo amparada e segura. Ela se despediu do
seu reino e seguiu com o REI guerreiro para um lugar desconhecido, para receber
um tratamento que não imaginava como seria, conviver com um povo que não sabia
se a amaria ou respeitaria, mas ela sentia que a força e a coragem do REI
guerreiro agora eram a força e a coragem dele eram também dela.
Foram muitos dias de
caminhada, dias penosos, nyashia sendo tratada como uma plebeia, mas ainda por
dentro se imaginando princesa, tentando convencer o REI a fazer suas vontades
mas aprendendo com cada negativa dele que o que ele desejava era sempre o
melhor pra ela.
Numa noite fria, o REI puxou
nyashia que dormia para seu colo e a
embalou e a aqueceu, a tratando como um bichinho, acariciava a pele dela como
se acaricia o pêlo de uma gatinha, passou os dedos no nariz dela, como se coça
o nariz de uma gatinha e as vezes com ela meio acordada fazia psc psc psc psc
psc pra embalar o sono dela.
No outro dia quando nyashia
acordou sentiu que o REI a tratava com mais carinho, com mais cuidado e lhe
dando mais atenção, e ela se lembrou de estar sendo tratada como gata e sorriu
internamente.
Mais dias se passaram e a
cada dia nyashia sentia o REI mais próximo a ela, e todas as noite ele a
embalava nos braços para dormir, como quem embala e cuida de uma gatinha.
Numa manhã, ao acordarem o
REI sentiu que nyashia adoecera, estava febril, com aparência cansada e sem
forças para se levantar e ELE então decidiu esperar naquela caverna, mesmo
estando muito próximos do seu reino, sabia que seria melhor pra ela se
recuperar antes de enfrentar a vida que lhe esperava.
Vários dias se passaram,
nyashia dormia e dormindo enfrentava pesadelos imensos, ela chorava dormindo,
se debatia e parecia piorar, e o REI sofria com a dor dela, e cuidava dela como
quem cuida de um tesouro, como um DONO cuida de sua gatinha.
Numa manhã, o REI vendo que nyashia estava pela primeira vez
adormecida e serena, com a aparência melhor e sem febre, resolveu deixa la e ir
caçar, as provisões estavam acabando e precisariam de alimento. Beijou sua
testa com carinho e partiu.
Ao retornar a caverna, não
encontrou nyashia ali, se assustou, a procurou e não a encontrava, rodeou a
mata a sua volta, mas ela parecia ter sumido, resolveu voltar pra caverna pra
pensar no que fazer, afinal ele como REI era responsável por ela. A caverna
estava solitária e fria sem ela. Ele sentou, colocou a cabeça por entre as mãos
e esperou, na esperança que ela voltasse.
Ao ouvir barulho o REI se
levantou e foi pra entrada da caverna e a viu...nua...ainda molhada do banho
que havia tomado no rio, os cabelos longos caídos estavam belos, sua pele esta
limpa, o cheiro dela invadia suas narinas, o olhar dela era meigo e servil, mas
o que ele não esperava, o que ele jamais sonhara havia acontecido, ela vinha de
quatro, caminhando em sua direção, com um olhar felino.
Ela então chegou perto dele,
e se enroscou em suas pernas, passou por entre elas e miava, como uma gata de
verdade, a personificação dos seus sonhos, dos seus desejos mais escondidos,
ela estava ali o servindo como seu bichinho, não mais uma ex princesa, apenas
seu bichinho, sua gatinha.
O REI então se abaixou para
brincar com ela, e ao chama lá de nyashia viu o olhar dela se modificar, ficar
ainda mais dócil, ainda mais servil e ela disse a ele:
- Meu REI, fui ao rio me
levar, eu ao sair de lá percebi que a febre, as dores, os sonhos e pesadelos me
traziam uma mensagem, eles diziam pra mim que eu não seria capaz de enfrentar o
seu reino como eu era, como nyashia, que ela sempre seria uma sombra entre nós,
ao que o SENHOR merece de nós.
Então pedi aos deuses que me
dessem a honra de serví lo como mereces, e ao caminhar meu corpo se curvou, e
eu comecei a caminhar sobre patas ao invés de pés, minha mente foi se abrindo,
e aprendi a miar, sou o seu bichinho agora, não mais nyashia, não mais princesa
ou ex princesa, apenas o seu bichinho, e o seu bichinho não se chama nyashia,
ela se chama Agatha.
O REI que já achava estar
feliz com a posse da nyashia, naquele
momento se sentiu completo, vivo e feliz, como a muitos anos não se sentia, a
abraçou, a embalou e a amou.
Resolveram ficar ali alguns
dias para se adaptarem ao mundo novo que se abriu com a morte da nyashia e o
nascimento de Agatha. Brincaram juntos, riram juntos, se amaram por muitas e
muitas vezes. Até o dia que o REI disse, bem meu bichinho, agora temos que
seguir, dar um passo a frente na relação que temos.
E eles foram, terminaram a
caminhada juntos e nos portões de entrada do reino ele se abaixou, olhos nos
olhos da sua gatinha, brincou com seus bigodes, acariciou o seu fusinho e disse
a ela:
- Meu bichinho, você é linda
pelo que é, é uma gatinha maravilhosa, que orgulha e engrandece seu DONO todos
os dias, mas ainda é pouco, sinto que você me pertence, mas que ainda pode me
pertencer mais, ao cruzarmos esses
portões, você ainda será a minha gatinha...será pra sempre a minha gatinha, mas
ainda é pouco, quero mais de você, quero mais pra mim, quero um nós ainda mais
unidos.
A partir de agora a gatinha
será também adestrada e cuidada como escrava, dando a vida dela em minhas mãos,
para que essa união seja eterna, para que além de ser minha gatinha, seja minha
por inteira e para sempre...mas isso só poderá acontecer se você concordar, mas
te aviso será sua última chance de tomar uma decisão.
E sem pensar por meio
segundo, Agatha rodeou seu DONO REI por entre as pernas, com suas unhas escalou
seu corpo e respondeu eu seu ouvido com miados de amor e devoção:
- Sim MESTRE, aceito ser SUA
da forma que me desejas.
Os portões se abriram e eles entraram.....
Continua.....

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