E um dia ela acordou e se sentiu mais livre do que nunca, e
entendeu o que deveria fazer...
Foi até seu guarda roupas com o intuito de escolher sua
roupa mais simples, para que suas vestes demonstrassem sua humildade, mas tudo
que olhava parecia muito ostensivo para o momento que precederia o colocar de
roupas, sendo assim decidiu pelo nudez, afinal de contas o que poderia ser mais
precioso do que a entrega do seu corpo nu, demonstrando assim que ele seria
ornamentado com o que ELE achasse melhor.
Em sua sala, retirou de sua melhor bandeja os cristais que
enfeitavam sua casa, na nova vida que escolhera viver cristais não seriam mais
necessários, mas a bandeja de prata daria maior significado ao seu ato de
entrega.
Do fundo se seu armário retirou o presente que daria a ELE,
colocou o sobre a bandeja, e percebeu que ainda faltava algo, dentro de uma
caixa de veludo colocou palavras escritas em letras perfeitas, guardou as na
mesma bandeja junto com o presente, e saiu pela porta de entrada, sem ao menos
olhar pra trás uma única vez, estava sim fazendo uma escolha e abrindo mão de
tudo que até agora viverá, mas nada disso era mais belo e mais perfeito do que
o ato a ser anunciado a ELE em instantes.
Fechou atrás de si a porta e seguiu pela vila descalça e
nua, com seus maiores tesouros sobre a bandeja, ao passar pelas ruas as pessoas
a olhavam, alguns pareceram incrédulos, a conheciam e sabiam pra onde ela se
encaminhava.
Ela entrou orgulhosa no palácio, ao contrário que muitos
esperavam, estava com a cabeça erguida, não se envergonhava de sua escolha, e
esta fora uma escolha tão consciente que fazia com que seu orgulho fosse
ostentado no rosto.
Após passar por corredores imensos enfim chegou perante a
porta do salão principal, certamente ali ELE seria por ela encontrado, entrou
sem bater, com um andar de pontas de pés, seu silêncio na chegada apenas
serviria para reforçar sua humildade.
Ao se deparar com ELE, as palavras não foram necessárias, no
trocar de olhares entre os dois, ele assentiu com a cabeça levemente permitindo
que ela se achegasse, ela o fez, se prostrou a seus pés ajoelhada, com a cabeça
erguida e o olhar fixo naquela que ela desejava.
Estendeu a bandeja e nela continha uma longa corrente, com
algemas para acorrentar braços, pernas e pescoço, todos os cadeados estavam
abertos, mas as chaves não seriam necessárias, aquela era uma prisão eterna.
Seu DONO, com admiração no olhar, já havia entendido a
escolha dela, mas a caixa de veludo ainda era um mistério, ELE a abriu e nela
continham as seguintes palavras: meu corpo, minha alma, meus pensamentos, meu
coração.
ELE se aproximou dela, a acorrentou, e a puxou para seu
colo, a partir daquele momento ela deixava de ser apenas uma submissa e se
tornava por opção sua escrava eterna.
{=^.^=}_DOMMARCELO

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